Páginas

Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

Palestra - Luiz Ruffato

Na próxima sexta-feira (17/06),  escritor Luiz Ruffato dará uma palestra sobre Crítica Literária, na Escola São Paulo.


Clique aqui para maiores informações.

Entrevista: Luiz Ruffato

Em setembro de 2009, tive a oportunidade de comparecer à noite de autógrafos do escritor Luiz Ruffato. Naquele dia ocorreu o lançamento de seu livro "Estive em Lisboa e lembrei de você" (crítica aqui). Muito simpático, conversou comigo e algum tempo depois aceitou responder algumas perguntas que encaminhei via email.



1) Luiz, obrigada por participar dessa entrevista e parabéns pelo lançamento de seu novo livro. Você esteve em Portugal e escreveu um maravilhoso livro, falando de amor, esperança e mudanças. Li no site do projeto "Amores Expressos" a seguinte frase: "E não apenas as ligações são fragmentadas: nós também o somos, com nossas identidades em metamorfose". O que essa viagem mudou em você?

Quando fui convidado a participar do projeto Amores Expressos, escolhi Lisboa como cidade-laboratório. Primeiro, porque já conhecia bastante bem a cidade e poderia então me dedicar a escolher com calma os ambientes onde se passaria a história. Segundo, porque eu já tinha tido contato anterior com os imigrantes brasileiros em Portugal, e o paralelo entre a imigração para o exterior e a imigração interna brasileira me interessava como ponto de partida para a ficção. Então, no meu caso, náo houve propriamente mudança, embora seja verdade que em toda viagem, se você estiver afeito a isso, ocorre um salto qualitativo, pois aprende-se algo.

2) Você nasceu em Cataguases, Minas Gerais. Em seu livro "Eles eram muitos cavalos" você retrata São Paulo de uma forma muito completa e intensa. Em que a cidade o afetou ou modificou a ponto de escrever tão intimamente sobre ela?

Eu devo tudo o que tenho, financeiramente, psicológica e profissionalmente, a São Paulo. A cidade é uma das poucas no Brasil em que não se pergunta "filho de quem você é" para aprovar ou negar um emprego... Então, quando em 2000 me foi proposto escrever um romance, pensei imediatamente em pagar um tributo à cidade que me acolheu e me fez ser o que sou hoje.

3) Essa pergunta é uma curiosidade de leitor. Sempre queremos saber o que nossos autores preferidos lêem. Luiz, quais seus escritores preferidos? Qual foi o primeiro livro de impacto na sua vida?

Eu sempre me deixei contaminar por todos os autores que li. Mas, claro, alguns estão presentes no meu universo afetivo e intelectual de maneira diversa de outros. Eu citaria, então, não autores que me influenciaram, mas aqueles que me impressionaram e impressionam ainda hoje: Balzac, Machado de Assis, Tchekov, Faulkner, Pirandello.

4) Truman Capote escreveu o livro "A Sangue Frio" em moldes jornalísticos. Você já foi jornalista. Qual a relação do Jornalismo com suas obras?

Diretamente, o que o escritor deve ao jornalista, e a ele sempre graças, é a disciplina. Nada melhor do que o exercício cotidiano do jornalismo para deixar claro ao escritor que escrever é exercício, é labuta. Além disso, há, claro, um certo treino do olhar, uma certa humildade em saber que o texto que você elaborou e reelaborou torna-se privada de passarinho, no dia seguinte, no caso do jornal, ou nada, se ninguém abre o livro, no caso da literatura... Agora, não vejo nada mais distante da literatura do que o jornalismo. Embora ambos trabalhem com a linguagem, cada um dos ofícios têm com ela uma relação completamente única. O texto jornalístico quer-se mediano, inteligível, objetivo, claro e informativo. O texto literário deseja-se culto, inteligente, subjetivo, deformativo... Onde termina a notícia de jornal começa a prosa de ficção...

5) Para finalizar, o que você perguntaria para você mesmo?
Você é uma pessoa feliz? E eu responderia: sim, muito, apesar de todos os percalços...

Postagem original aqui.

Blecaute

Muito se discute a respeito da origem da verdadeira Literatura Brasileira. Teria ela começado com os romances indianistas, com Machado de Assis ou com a Semana de Arte Moderna de 22? Antes, era apenas uma reprodução do que estava acontecendo na Europa, centro de toda a efervecência cultural. Hoje a discussão ainda existe: nossa Literatura está num chamado Pós-Modernismo? Temos autores que representam muito bem nosso momento da escrita, justamente por cada um seguir seu próprio estilo. Alguns dos nomes conhecidos são Luiz Rufatto, Fernando Bonassi, Fabrício Carpinejar e Marcelo Rubens Paiva. É desse último que tratará esse texto.


Seu nome talvez seja conhecido pela tragédia que envolveu sua família. Seu pai, o ex-deputado federal Rubens Paiva, desapareceu depois de ser torturado durante a ditadura militar. Outro fato triste da vida de Marcelo Rubens Paiva, foi o acidente que sofreu ao mergulhar em um rio aos 20, deixando-o tetrapéglico. Após muita fisioterapia ele recuperou o movimento dos braços e mãos, e assim escreveu seu livro "Feliz Ano Velho", em que relata desde o acidente até sua recuperação.



5 anos após escrever seu romance autobiográfico, Marcelo Rubens Paiva publicou “Blecaute”. Neste livro, ele imagina como seria uma São Paulo pós apocalíptica. Três amigos viajam para explorar cavernas num feriado e acabam presos numa delas após uma enchente. Ao saírem se deparam com a cidade silenciosa e todas as pessoas estranhamente paralisadas. Começam então uma jornada em busca de sobrevivência e de aprenderem a lidar uns com os outros.

Romances pós-apocalipticos são bastante comuns, o que diferencia o de Rubens Paiva é a verossimilhança ao descrever partes da cidade de São Paulo. Exemplos disso são o momento em que os protagonistas resolvem pintar a Avenida Paulista de vermelho e quando resolver explodir os principais pontos da cidade. O autor também mistura o passado das personagens ao contar o dia a dia na nova realidade de silêncio absoluto.


Marcelo Rubens Paiva é uma figura carimbada na cidade de São Paulo. Trabalha no teatro, mantém um blog e recentemente foi lançado um filme baseado em seu livro “Malu de Bicicleta".